Cabaret - 1972

Incrível! Como a dança, a música e a simpatia do apresentador deste musical já nos colocam para dentro do filme de imediato. Logo eu, que detesto musicais, tenho alergia desta mistura geralmente mal feita, e que até então só havia gostado de poucos, entre eles cantando na chuva, me vi completamente envolvido pela trama não convencional. O diretor, Bob Fosse, fez com certeza uma grande obra de arte. A fotografia impecável, conseguia misturar a fantasia do cabaret com o realismo da vida no pre segunda guerra, a direção de arte impecável que nos leva até a época, a atuação da Lisa Minele, que tente para o caricatu, mas que nos cativa, pois sabemos que existem pessoas em diversos graus parecidas com a personagem. Conseguimos nos identificar. Os nós construídos, o pai nunca revelado, o barão que atravessa como um foguete a história e a leva para outro rumo e depois desaparece como se nunca houvesse acontecido, o caso homossexual velado, a transfiguração de um Judeu resgatando as origens por conta do amor. É uma obra impagável, não sei quando verei outra obra assim novamente, sempre fico ansioso devido a quantidade de filmes medíocres soltos hoje, de quando terei acesso a essas pérolas. Mas como não destacar a edição. A montagem deste filme é algo fantástico. Os momentos de puro efeito Kuleshov que funcionam como uma luva para nos transmitir mensagens profundas de desamparo e desesperança, de dúvida e mágoa. A música é um show a parte, me peguei pensando em como encontrar a trilha sonora para baixar e colocar no meu carro para ficar escutando, de tão encantado com a cadencia da levada do Jazz, do swing de cabaret. Todo o ambiente de desesperança do submundo da pequena burguesia alemã retratada com muita delicadeza e propriedade. Os dramas profundos que nos levam a reflexões complexas sem perder a graça trazida pelas personalidades retratadas. Uma doçura de vivencia, estou apaixonado pela Lise Mineli, já o era, mas agora ela mostrou uma faceta de sua personalidade, que acredito ser dela, que nos outros filmes ficava sempre internamente pulsante, agora ela expos de forma total uma personalidade cativante, um ego grandioso e mesmo com um corpo não tão bonito, ela se mostra sex e altamente desejável neste trabalho maravilhoso de composição emocional. O rapaz, tratado como possível homossexual reprimido, mas que alcança a graça e a valentia através da aventura em que a amante (sim, mesmo homossexual ele não resiste a Lise Mineli), e acaba por se resolver de alguma forma dos problemas internos que o agridem. A vida retratada de forma poética e atemporal, qualidade sem precedentes se tratando de um filme de época. mais nada a dizer, agora é sentar e tentar digerir essas maçã. Abraço a todos.

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