Quem é Daniel Blake

Daniel Blake,

Como ficar indiferente? Como não se sentir tocado? Como a empatia do ser humano não esse atingida em cheio por esse filme que vai direto ao ponto central da nossa existência, ou, sobrevivência?

Aparentemente simples, sem grandes pretensões de linguagem, sem experimentações nem tentativas intelectuais de construir um debate sobre a estrutura narrativa. Nada disso dentro de um filme que ganhou o maior premio de cinema da Europa. A mesma forma industrial consagrada pelos velhos estúdios, a previsibilidade característica, a falta de ousadia recorrente, mas tudo isso de forma extremamente simples, quase minimalista. Isso, minimalista, acredito que podemos chamar este filme de minimalista, ele nos prende como qualquer outro filme comercial que aposta na manipulação e na cartasse, mas é tão simples, tão singelo,  vai indo como se fosse um pequeno conto, que cada linha que se segue constrói uma pequena lógica bastante intuitiva e acessível, quase didático.

Mesmo acreditando que tudo que eu citei acima é, para mim, sinais de um péssimo caminho, fórmula para a merda fílmica, está lá Daniel Blake, singelamente triste e tocante, e, irrepreensível como seu personagem principal. 

Bresson, O diário de um padre, anos sem intender esse filme, não conseguia ver beleza, nem poesia. Tudo faz sentido, Daniel Blake abriu meus olhos para a poesia do personagem minimo transfigurado no filme minimo.

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